quinta-feira, 2 de junho de 2011

Análise do livro: O Guarani

Análise do livro “O Guarani

Desenvolvimento

História de José de Alencar

[José Martiniano de Alencar] Escritor brasileiro (Mecejana CE, 1829/1877). Pelo volume e importância da mensagem implícita em sua obra, pode ser considerado o patriarca da literatura brasileira.
Passou a primeira infância em sua terra natal, em contato com a natureza. Aos nove anos, viajou para a Bahia, em longa travessia pelo sertão. “A essa jornada cheia de acidentes e feita aos nove anos, deve ao autor as mais vigorosas impressões da natureza americana, e das quais se acham os traços em muitos de seus livros, especialmente no Guarani e Iracema.
No Rio de Janeiro, entre 1840 e 1843, freqüenta o colégio. Infatigável leitor, a sós ou em voz alta nos serões familiares, foi devorando novelas de amor, aventura ou históricas. Mudou para São Paulo e então começou a escrever. Em 1847 escreve o romance Os Contrabandistas. Sua obra de ficcionista iniciou-se dez anos depois com a publicação de O Guarani que lhe granjeara enorme popularidade ao ser lançado em folhetins lidos avidamente até mesmo nas ruas, à luz dos lampiões.
Para encerrar podemos dizer que Alencar contribuiu muito para a nossa língua ao romper a acanhada forma de sintaxe lusitana e escrever usando uma linguagem livre e de grande força poética.

A importância da obra

Publicado em 1857, O Guarani é a expressão máxima do Romantismo na ficção de José de Alencar e de nossa literatura. Nesse romance, o escritor consegue adaptar com perfeição os valores do movimento romântico europeu à realidade brasileira, de acordo como a percebiam nossos intelectuais no século XIX.
Peri personifica exatamente o ideal de herói que se encontra nas obras dos autores estrangeiros desta escola literária. Mais que isto, Peri é um índio, um homem primitivo, cujo caráter está alheio às influências “perniciosas” da civilização.
Neste sentido, ele é a representação concreta do “bom selvagem” de Rousseau, ao mesmo tempo que simboliza a índole do homem brasileiro, num momento em que o país recém-independente precisa afirmar-se como nação.
Da mesma forma, o cenário das matas virgens do passado colonial constitui a expressão nacional equivalente ao mundo medieval que os românticos da Europa elegeram como o espaço e o tempo privilegiados, em sua literatura altamente idealizada, que apresentava ao leitor uma visão de mundo sublime.
O desenvolvimento do enredo apresenta amor e aventura: os fatos se sucedem numa seqüência ininterrupta, característica de imaginação prodigiosa de Alencar. Neles, o autor encontra os elementos adequados para fazer de sua narrativa uma verdadeira epopéia: é a história de um povo que ele conta. Através da união do índio Peri com Ceci - a moça branca e européia, filha do colonizador - podemos imbuir que ele narra a formação da nacionalidade brasileira.

História


A história do Livro “O Guarani”  passa-se no estado da Paraíba, as margens do Rio Paquequer, próximo a esse rio morava a nobre família de D. Antônio de Mariz, um fidalgo Português que era leal ao seu país. Casado com D. Lauriana tinha dois filhos: Dom Diogo de Mariz e Cecília. Morava também nesta casa Isabel, filha de D. Antônio com uma índia, D. Álvaro, um nobre cavalheiro, Aires Gomes, e os ajudantes de D. Antônio.
Isabel, andava muito com Cecília, as duas sempre estavam juntas, e em um certo dia ela contou-lhe sobre seu amor por Álvaro, a partir daí Cecília deixou o caminho livre a para sua “Irmã” e apesar de Álvaro sentir uma atração por Isabel ele acaba fazendo um juramento a D. Antônio que ele se casaria com Cecília.
Peri um Índio, que salvara a vida da filha do casal passou a freqüentar a casa e atender todos os pedidos de Ceci, ele deixou sua tribo e sua família. Entre estas pessoas que conviviam com a família existia um estrangeiro cujo nome era Loredano, que na verdade viera atrás de um tesouro, e que sonhava em casar-se com Cecília.
Em uma caçada, D. Diogo mata uma índia da tribo dos Aimorés e então  toda a família fica ameaçada pelo que aconteceu. A tribo jura vingança contra todos os moradores da casa através do assassinato de Cecília. Com isso a casa é assediada por diversos perigos. Dom Antônio prevendo o pior manda seu filho ao Rio de Janeiro para procurar ajuda.
Loredano se amotina com os capangas e planeja matar toda a família, exceto Cecília. Seu plano não foi possível porque os Aimorés chegam para a vingança. Com isso a família fica isolada na sala principal da casa e os capangas em outro cômodo da residência. Nesse alvoroço Álvaro declara seu amor perante Isabel, mas fica com receio de quebrar sua palavra.
Devido a ameaça, Peri teve uma idéia e resolve acabar ele mesmo com os Aimorés e os Capangas e salvar a sua senhora. Para isso era necessário a sua morte. Não pensou duas vezes, colocou veneno nos suprimentos dos causadores do motim, passou no corpo e também tomou desse veneno. Feito isso entregou-se ao Aimorés. Ele sabia que eles eram Antropófagos, e que ao ser morto todos os índios também morreriam.
O seu plano não foi concretizado, porque D. Álvaro, a mando de D. Antônio e de Ceci foi salvá-lo. Peri para não morrer do veneno que ingeriu foi buscar na mata um antídoto natural. Na volta encontrou D. Álvaro ferido, mas este não conseguiu sobreviver. Ao chegar na casa, Pei o levou até o quarto de Isabel, esta devido o seu grande amor acaba suicidando-se.
O clima esquenta, os Aimorés começam a lançar flechas de fogo em direção a casa. Dom Antônio vendo que não havia mais esperanças de salvação, pede a Peri para se tornar cristão e salvar Ceci.
Feito isso, Peri sai rumo as margens do Paquequer com Cecília em seus braços. Já no rio, ouve uma explosão vinda da casa e uma bola de fogo saindo da colina.
Já ao amanhecer, Cecília acorda e Peri lhe conta tudo o que havia se passado. No início ela se revolta, queria morrer junto a seu pai e sua mãe. Após uma pequena reflexão, vê que estava ao lado da pessoa que lhe salvara a vida pela terceira vez. Lembrou-se de todos os pedidos que fez a Peri e que este os cumpriu com muito amor, também lembrou que Peri fazia de tudo para arrancar um simples sorriso de seu rosto. Salvou-lhe de uma pedra, de uma flecha dos Aimorés e da explosão da casa.
No entanto queria ficar com Peri, só que ele tinha prometido ao já falecido D. Antônio que a levaria para o Rio de Janeiro junto a seu irmão D. Diogo.
Então começaram uma caminhada pela floresta e de repente ocorre uma enchente. Eles sobem rápido para o topo de uma palmeira, mas a água continua a subir e a palmeira acaba sumindo no horizonte.

Figuras de Linguagem


No texto encontramos algumas figuras de linguagem, que ao serem utilizadas dão qualidade e embelezamento ao texto. José de Alencar, usa diversas delas, principalmente nas falas de Peri.


Achamos a figura antítese nas seguintes frases:

“Peri, guerreiro livre, tu és meu escravo.” P. 96
“... me lembrará que fui para ti; e me ensinará a ser boa” P. 96


Encontramos também comparação:

“Suas ondas são calmas e serenas com as de um lago” P. 15
“... precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.” P. 15
“tu é belo como o sol” P. 96

Metonímia:

“Aos pés daquela a quem ama” P. 159

Paralelismo:

“Tu és grande, tu és forte” P. 95
“Peri ouviu e não respondeu, nem a voz a sua mãe, nem o canto dos guerreiros, nem o amor das mulheres.”  P. 96

Metáfora

“Tinha a cor do céu nos olhos; a cor do sol nos cabelos, estava vestida de nuvens, com um cinto de estrelas e uma pluma de luz.”   P. 96

Personificação

“O cajueiro quando perde sua folha, parece morto. Não tem tem flor nem sombra, chora umas lágrimas doces como o mel de seus frutos.” P. 96

Pleonasmo

“Viu passar o gavião
Se Peri fosse o gavião, ia ver a senhora no céu.” P. 96

Ironia

“É que eu serei a irmã mais velha.
Apesar de seres mais moça?...” P. 36

Personagens


A história apresenta os seguintes personagens e suas respectivas características.

Dom Antônio de Mariz  - Fidalgo português que lutou contra os franceses e fundou o Rio de Janeiro. Com domínio espanhol, retirou-se para o sertão, às margens do Paquequer. 

Dona Lauriana - Mulher de D. Antônio de Mariz, tinha bom coração, era um pouco egoísta mas dedicada.

Aires Gomes - Escudeiro e amigo  fiel de D. Antônio de Mariz que o acompanhava em todas as suas expedições, luta contra os amotinados e os índios

Dom Diogo de Mariz - Filho de D. Antônio, e responsável pela morte da índia que vem a provocar o ataque dos Aimorés aos portugueses.

Cecília - Filha de D. Antônio, que era uma deusa desse pequeno mundo que ela iluminava com o seu sorriso. Tinha Peri como seu “escravo” e era amada por Loredano e Álvaro.

Isabel - “Sobrinha” de D. Antônio (que todos sabem ser sua filha natural com uma índia). É apaixonada por Álvaro. - Personagem Redonda

Peri - Índio da Tribo dos Goitacás, filho de Arerê. Salvou Ceci e posteriormente sua família. Era tão fiel a sua amada que daria a própria vida para arrancar um simples sorriso de seu rosto. Peri, apesar de ser índio, tinha um bom vocabulário e imaginação.

D. Álvaro - Nobre cavalheiro que servia à família de D. Antônio. Era apaixonado por Cecília, sua fidelidade era tão grande que prometera a D. Antônio casar-se com sua filha.

Loredano - Ex-frade que quer explorar o tesouro de Robério Dias e casar-se com Cecília. Amotina-se contra D. Antônio. - Vilão da história e personagem redonda.

Cenário


A história se desenvolve no cenário das matas virgens brasileiras da época - ela se passa no estado da Paraíba - .A casa de D. Antônio se encontrava no alto de uma colina e às margens do rio Paquequer. O autor no primeiro capítulo descreve detalhadamente todas as características da paisagem. Isso demostra que José de Alencar se preocupava em mostrar toda a riqueza e beleza do Brasil através da adjetividade na descrição, isto é, ele usava para cada substantivo vários adjetivos.


1. Tempo: cronológico, em 1604, durante o período em que Portugal perde a independência política e forma a União Ibérica com a Espanha.

2. Espaço: estado da Paraíba, às margens do Rio Paquequer, afluente do rio Paraíba.

3. Narrador: onisciente, em 3ª pessoa.

4. Enredo: No início do século XVII, um dos fundadores do Rio de Janeiro, o fidalgo português D. Antônio de Mariz, em protesto contra a dominação espanhola (1580-1640), estabelece-se em plena floresta, construindo um verdadeiro castelo medieval, onde mora com sua família. Junto à sua casa, vive um bando de mais ou menos quarenta aventureiros. Estes homens entram no sertão, fazendo o contrabando de ouro e pedras preciosas e deixam-lhe um percentual.
Deles destacam-se dois: Álvaro de Sá, que ama respeitosamente Cecília ( e é amado por Isabel), e Loredano.
Um dia, Cecília é salva pelo índio Peri, um jovem cacique. Peri passa a viver então junto a eles, numa pequena cabana, pois tivera uma visão de Nossa Senhora, a qual lhe ordenara que a servisse e Ceci tinha as mesmas feições da Virgem Maria. Ceci sente medo do índio, mas depois de vários feitos que demonstram a devoção do índio percebe seu espírito nobre ("É um cavalheiro europeu no corpo de um selvagem").
Certo dia, por acidente, D. Diogo mata a filha do cacique dos aimorés. Os aimorés ("povo sem pátria e sem religião") querem vingança, exigindo em troca a vida de Ceci.
Peri, fiel aos portugueses, parte para o acampamento dos inimigos. Lá é preso e levado para o ritual antropofágico, mas ingere então poderosa dose de curare, um veneno terrível, pois, assim, quando os selvagens o devorassem, morreriam todos. É resgatado por Álvaro de Sá e diante da exigência de Ceci que ele tente se salvar, vaga pela floresta até encontrar o antídoto.
Loredano se amotina com os capangas e planeja matar toda a família, mas é desmascarado por Peri. Sem alternativa de resistência, D. Antônio chama o índio e diz que, se este se tornasse cristão, lhe confiaria a filha para que tentasse levá-la à civilização. O herói aceita e foge então com Ceci para o rio Paquequer onde escondera uma canoa. Ouve-se uma grande explosão.

 

Elemento de destaque na obra: o papel de índio 
A leitura de O guarani seria superficial sem uma reflexão sobre a ideologia sobre a identidade indígena apresentada na obra. Há três elementos indígenas no texto de Alencar, que vão se chocar ideologicamente, representando aquilo que a sociedade do século XIX vai aceitar e condenar, ou seja, refletindo o que se entendia que seria o bom índio, que deve ser aceito, e o índio mau, que deve ser rejeitado. Veja só:

*Peri: protege Cecília, torna-se cristão, volta-se contra os povos indígenas, abandona a floresta (mas não se atreve a ir à cidade).
*Isabel: permanece sempre ao lado dos brancos, civilizada.
*Aimorés: antropófagos, vingativos, terríveis, devem ser mortos.

Assim, o índio aculturado, que vive com os brancos (como Isabel) ou que é a eles subserviente (como Peri é, de forma até religiosa, a Cecília), são os bons índios, por cuja felicidade e sucesso o leitor é levado a torcer. Já o índio "in natura", não aculturado, é o vilão perigoso, que deve ser morto porque é ameaçador. O índio que não sente necessidade de ser como branco ou estar junto a ele é rejeitado na obra e não há mal nenhum em sua morte, afinal ele não passa de um selvagem.

Esta ideologia é fruto histórico do apagamento das marcas de identidade do nosso indígena na literatura brasileira. O índio que começa o Quinhentismo, em sua cultura, alvo de admiração e preconceito, ao mesmo tempo, no Arcadismo se transforma no índio que precisa do homem branco para ser salvo (dos jesuítas, em O Uraguai, ou do pecado e do paganismo, em Caramuru) e, finalmente, no Romantismo, é o índio que se despe de sua cultura por ter um caráter naturalmente bom, e, por isso, é um ser civilizado, com quem se pode conviver harmoniosamente. Aquele que não se encaixar neste perfil é mau, é rejeitado pelo leitor, e terá seu fim trágico assegurado na obra.
 
 Verossimilhança
Poucos escritores brasileiros, mesmo aqueles mais bem dotados tecnicamente, servem melhor ao estudo do que seja a própria arte da ficção, sobretudo no que diz respeito ao problema tão antigo quanto o próprio Aristóteles, o da verossimilhança. Em Alencar, a cada passo, em seus livros mais ambiciosos, pode ir o leitor de hoje rastreando elementos que conduzem ao cerne daquilo a que um crítico (Martin Price) chamou de "contrato ficcional”,  isto é, uma espécie de acordo tácito entre o autor e o leitor no que se refere às experiências do imaginário concretizadas pela narrativa. Tropeçando nos erros de sua ignorância etnográfica, esbarrando por entre as armadilhas da selvagia de uma terminologia "brasileira" ainda não bastante esclarecida em sua época  (e tudo isso os seus críticos menos argutos e mais caturros, de ontem e de hoje, fizeram e fazem valer como condenação geral de sua obra), Alencar foi afirmando a supremacia de uma realidade ficcional sobre a chateza das minudências de ordem histórica ou geográfica com o mesmo ardor e imprudência da maioria de seus personagens heróicos. Veja-se bem, no entanto: José de Alencar jamais perde a visão de conjunto de sua narrativa. Se a ação de seus personagens faz surgir acontecimentos que parecem bordejar o inverossímil, isto se dá por um momento fugaz, e o leitor termina pacificado. Tudo acaba por explicar-se convenientemente, desde que a imaginação funciona como elemento controlador e organizador

Conclusão:


O livro “O Guarani” é uma história ficcionista, mas o autor consegue contá-la de  uma forma que prende tanto a atenção do leitor que esta acaba transfigurando o irreal e se transformando em uma história verídica na cabeça do leitor. Isso mostra a capacidade e o poder da literatura em nossa vidas, através dela podemos viajar sem sair do sofá ou da cadeira em nos encostamos ao pegar um livro como este.
O Guarani portanto constitui uma espécie de símbolo da Pátria, podendo ser comparado ao hino nacional, à bandeira, ao brasão de armas. Sua leitura, portanto, é obrigatória para conhecer historicamente o pensamento brasileiro e refletir sobre o Brasil e sobre nossa origem.

7 comentários:

  1. Perfeito pra mim que vou fazer uma peça desse livro, vou ser o D. Alváro

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  2. O conflito acontece na hora q D.Diego mata uma índia dos aimorés (ai muda toda a história)

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  3. qual o assunto principal acontecimento sobre o qual gira a historia?

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